A pandemia da Covid-19 afetou o mundo inteiro de uma forma inédita e devastadora. As mulheres, obviamente, foram especialmente atingidas. Para acolher e ampliar as vozes de algumas companheiras, lançamos a campanha Elas na Linha de Frente. De maio a julho, por meio dessa campanha oferecemos tanto um momento de escuta e diálogo para com as participantes como também uma ocupação do espaço virtual a partir da confecção e divulgação de cartazes tipo lambe-lambe contendo um trecho de suas experiências atuando nas suas linhas de frente.
Por percebermos o grande impacto do coronavírus especialmente na vida das mulheres, protagonistas no combate à doença em todo o mundo, decidimos abrir uma escuta para a população feminina que está na linha frente, seja no trabalho ou dentro de casa. Para além dos dados divulgados nos jornais, a campanha Elas na Linha de Frente buscou divulgar as biografias de mulheres que estão por trás dessa luta intensa, exaustiva e essencial para a sociedade neste momento. Mulheres que estejam fora de uma situação de privilégio, acumulando trabalhos e até arriscando a própria vida nesse cenário.

Em maio, iniciamos a campanha #ElasnaLinhadeFrente e foram três meses intensos de escuta e reinvenção de processos internos e externos. A pandemia evidenciou, ainda mais, como o trabalho das mulheres é essencial para a manutenção da sociedade. Ouvimos profissionais de diversas áreas e todas tiveram o seu cotidiano profundamente afetado pelo contexto. Suas narrativas nos provaram, mais uma vez, o quanto elas são fortes e fundamentais.

Todos os processos de coleta de relatos aconteceram virtualmente, por encontros de vídeo e/ou áudio. O processo consistiu também em propor que as protagonistas escolhessem uma imagem para ilustrar seu lambe-lambe que tivesse a ver com o momento atual em que todas estamos inseridas, mostrando um pouco do novo cotidiano das próprias. Os relatos foram transcritos e foi realizada uma curadoria do conteúdo na íntegra, transformando a escuta em um texto resumido que expusesse o contexto pessoal e/ou profissional de cada participante para que suas frases nos lambes pudessem ser melhor compreendidas pelo público em geral.
No total, foram ouvidas 13 mulheres, das seguintes profissões e papéis sociais: médicas, agentes de saúde, oficiais de justiça, mães, professoras, empreendedoras, assistentes sociais, caixas de supermercado, ambulantes, psicólogas e profissionais da cultura. Mulheres que cumprem qualquer função em que se encontrem forçadas a se expor ou que estão sendo obrigadas a se reinventar para sobreviver – são essas mulheres que nos propusemos a ouvir.
Durante o desenrolar da campanha, buscamos também trazer uma maior representatividade e diversidade no perfil das mulheres. Nos preocupamos em trazer perspectivas de diferentes profissões que estão atuando nas linhas de frente, muito além da área da saúde.
A campanha obteve um bom engajamento e visibilidade, chegando a um alcance total de mais de 17 mil pessoas/visualizações. Ficamos profundamente realizadas por termos sido ponte para que, mesmo no ambiente virtual, tantas trocas e conexões tenham acontecido.
Seguimos lutando por nossos direitos, pelo nosso espaço, por sermos reconhecidas pelos processos que lideramos, pela garantia de nossas vidas, assim como por espaços de troca e afeto entre nós.