Campanha #ElasnaLinhadeFrente

A pandemia da Covid-19 afetou o mundo inteiro de uma forma inédita e devastadora. As mulheres, obviamente, foram especialmente atingidas. Para acolher e ampliar as vozes de algumas companheiras, lançamos a campanha Elas na Linha de Frente. De maio a julho, por meio dessa campanha oferecemos tanto um momento de escuta e diálogo para com as participantes como também uma ocupação do espaço virtual a partir da confecção e divulgação de cartazes tipo lambe-lambe contendo um trecho de suas experiências atuando nas suas linhas de frente.


View this post on Instagram

Tatiana é oficial de justiça há 16 anos e agora, apesar de nunca ter sentido medo de exercer sua profissão, diz estar diante de uma ansiedade que não conhecia. Apesar de todos os fóruns do Brasil estarem fechados, oficiais de justiça são os únicos servidores do Poder Judiciário que continuam fazendo trabalho não remoto. Sendo amparados apenas com meia dúzia de máscaras descartáveis e luvas, os oficiais de justiça precisam continuar cumprindo os mandados urgentes e, segundo Tatiana, grande parte destes mandados visam assegurar os direitos das mulheres. Em seu último plantão, 7 dos 11 mandados que cumpriu, foram para atender mulheres em relação às medidas protetivas da Lei Maria da Penha. . . Segundo o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), houve aumento de mais de 50% no número de denúncias de violência doméstica desde que a quarentena começou, em março. Logo, Tatiana é uma das porta vozes das mulheres na exigência de fazer cumprir os seus direitos. Nesse sentido, Tatiana diz se orgulhar muito do senso social de seu trabalho ao poder contribuir para o amparo dessas mulheres em situações ainda mais difíceis agora. . . O orgulho que sente nesse momento também é forte por todas as mulheres e amigas que estão passando por grandes desafios. Ela diz se impressionar como elas têm sido exigidas nesse momento e como respondem com clareza a essas demandas. Além disso, acrescenta que “elas, infelizmente, também são as responsáveis por equilibrar emocionalmente a família”, o que não é nada fácil em um contexto desses. No seu caso, ela que ia todo o final de semana visitar os pais idosos, se mantém sem visitá-los há dois meses e no máximo encontra seu namorado, em um clima de tensão muito diferente para os dois. . . #ElasNaLinhadeFrente #feminicidade #feminismo #sororidade #coronavirus #covid #covid19 #covid-19 #oficialdejustiça #justiça #rj #violenciacontramulher

A post shared by Feminicidade (@feminicidade) on

View this post on Instagram

Ana, depois de já ter se graduado em Veterinária, decidiu cursar Medicina. Assim que se tornou médica, veio de Minas Gerais para o Rio de Janeiro fazer residência em Medicina de Família e Comunidade. É mestra em Saúde Pública, pela ENSP, FIOCRUZ. Hoje, ela trabalha como médica de família no Andaraí. ⠀⠀ . . Ana enxerga na classe médica um grupo muito privilegiado. Desde privilégio salarial, acesso à informação, estudo e história de vida. Ela acredita que refletir sobre esses privilégios é algo fundamental para chamar a responsabilidade para si, para pensar como pode contribuir mais, cuidar mais do outro e ficar mais atenta a ele. Ana vê a medicina de família como a única coisa que poderia fazer, primeiro, porque ela não se vê trabalhando fora do SUS e, segundo, por uma questão de militância. . . ⠀⠀ “As pessoas que nós cuidamos muitas vezes trazem questões do âmbito social, que não são objetivamente só de saúde. São questões sociais que estão afetando a saúde. Eu não consigo pensar em uma medicina que feche os olhos para isso. Por exemplo, eu vou cuidar do diabetes de um paciente, mas é o diabetes da dona Maria, que é uma idosa, negra, que mora sozinha, analfabeta, que não tem energia em casa e não consegue guardar a insulina dela. Então porque o diabetes dela está descompensado? Não é porque ela é uma má paciente que não usa a medicação, é porque ela sofre uma série de violências, do Estado, inclusive, e que na maioria das vezes afetam diretamente no processo de saúde e adoecimento. Para mim, isso é medicina." . . ⠀⠀ A medicina de família preza por esse contato entre médico e paciente. É preciso ser mais profundo, olhar no olho e perguntar o que está acontecendo na vida daquela pessoa, como vão as coisas em casa, no trabalho e como ela está se sentindo, para que haja uma compreensão real de quem é esse paciente, o que ele tem e por quê. O coronavírus está dificultando esse contato, primeiro pelo próprio equipamento de proteção individual usado pelos médicos, que te impede de ver o rosto de quem está te atendendo. [CONTINUA NOS COMENTÁRIOS]

A post shared by Feminicidade (@feminicidade) on

View this post on Instagram

Eu sou Morgana Bernabucci atriz, dubladora, baiana, nordestina, mulher preta e, para completar essa ópera, me tornei artista! Nós, os artistas, os profissionais da educação e da imprensa somos atacados cotidianamente por esse governo. Falam barbaridades sobre a nossa atuação profissional. Artista virou sinômino de vagabundo por conta da tão falada Lei Rouanet, sendo que a maior parte das pessoas nem sabe o que é a lei. O audiovisual está parado, todos estão precisando se reinventar. As produções, nesse momento, estão comprometidas. Não sabemos quando os teatros poderão retomar às atividades, não há planejamento nenhum. Nós que somos dubladores estamos impossibilitados de gravar em estudio e como há estúdios que não aceitam a dublagem remota (de casa), muitas pessoas estão expostas ao vírus para não perderem trabalho. Infelizmente, a disseminação de notícias falsas sobre o vírus faz muitas pessoas não acreditarem na proporção do problema e por isso elas estão se expondo, quando, na verdade, poderiam organizar a categoria e lutar pela garantia de direitos trabalhistas. Os artistas do Rio de Janeiro estão completamente desassistidos. Quem precisa garantir a segurança dos cidadãos é o Estado e, infelizmente, essa bandeira está longe de ser levantanda pelos nossos governantes. Digo isso de maneira unificada, cada poder tem dado um direcionamento e, por conta disso, as pessoas estão completamente perdidas. Em outros países, o Estado está preocupado em garantir a manutenção da indústria cultural, mas, em nosso país, essa é uma realidade distante. Agora, sobre as mulheres, tenho muito orgulho delas porque sinto que, mesmo invisibilisadas, elas estão liderando os processos frente ao COVID-19. Tanto na educação, quanto nas equipes médicas, quanto no campo da arte, tudo isso ainda atrelado ao trabalho doméstico. Eu estou nesse grupo de mulheres, estou tentando fazer o mínimo para que com a minha arte as pessoas consigam aliviar seus corações. Tenho feito lives de leitura de textos de teatro para possibilitar pessoas a conhecerem autores e autoras que muitas vezes não conhecem. [CONTINUA NOS COMENTÁRIOS]

A post shared by Feminicidade (@feminicidade) on

View this post on Instagram

Raquel vive em Curitiba, é formada em psicologia e é funcionária publica. Já trabalhou com educação e saúde na prefeitura de Santa Terezinha de Itaipu. Também se dedicou à proteção na área da infância na prefeitura de São José dos Pinhais. Hoje Coordena um CRAS (Centro de Referência de Assistência Social).Os CRAS fazem parte da política da assistência social que pertencem ao SUAS (Sistema Único de Assistência Social). “O papel principal do CRAS é ser porta de entrada para a assistência social. Ele acolhe as famílias, com todas as suas complexidades, problemas de relacionamento, problema de dependência química, vulnerabilidade financeira. O CRAS acolhe, faz todos os encaminhamentos necessários e faz o acompanhamento dessa família até que ela tenha uma independência social para seguir o caminho dela.” O Trabalho da Raquel já é por si só complexo e intenso, porém a carga ficou ainda mais pesada com a chegada do corona. Sua equipe foi reduzida, pois haviam funcionários que foram afastados por serem grupo de risco. O atendimento presencial foi substituído pelo atendimento telefônico, a idéia era que a equipe fosse trabalhar, porém de portão fechado.No entanto havia apenas 3 linhas para a população entrar em contado, o que não era suficiente. Então a população começou a ir para a porta do CRAS. Raquel e sua equipe se viram em uma situação delicada, foi necessário fazer os atendimentos no portão. “Você via a população sofrendo, iam idosos, crianças, gestantes, pessoas doentes iam lá para pedir auxílio e a gente não podia responder a isso. A gente foi distribuindo cestas básicas, pois a prefeitura liberou, mas era um processo burocrático, tínhamos que fazer todo um cadastro. E a equipe não tinha esse preparo, os que tinham foram afastados. Eu fiquei com educadoras que não estavam acostumados a lidar com isso, não tinham sido treinadas para fazer acolhimento de várias questões que as famílias traziam, mas elas se dispuseram e fizeram tudo que podiam para atender essa população, mas infelizmente o poder publico nunca reconhece isso.” [Continua nos comentários]

A post shared by Feminicidade (@feminicidade) on

View this post on Instagram

“Meu nome é Aline e sou produtora do espaço cultural A Garagem Delas. @agaragemdelas vai fazer 2 anos agora em Outubro e antes da Garagem eu era ambulante e ainda sou né? Comecei a trabalhar como ambulante em 2017 para ajudar a minha mãe e no início eu não gostava pois era tímida e tinha vergonha. Minha mãe vivia reclamando que eu perdia os clientes, mas com o tempo eu fui aprendendo, fazendo amizades e perdendo a vergonha. Quando vi estava lá gritando “cerveja, cerveja"! A mãe da Aline alugou um espaço no Centro para servir de garagem para os carrinhos das ambulantes. Em 2018 a Aline e sua amiga e atual sócia Alice, começaram a pensar em usar aquele espaço para fazer eventos. “A gente arriscou muita coisa, é muito difícil virar produtora do nada. Quem faz isso? Quem ia pensar que quatro mulheres camelôs iam resolver trabalhar com eventos"? A ideia surgiu pois, em uma determinada época, estava muito difícil trabalhar na rua, com poucos eventos acontecendo o dinheiro foi parando de entrar e a Aline, que é mãe de 3 filhos, começou a pensar em alternativas. No início a mãe da Aline não gostou da ideia pois achava que era uma responsabilidade muito grande. O tempo foi passando e o dinheiro não estava entrando então elas decidiram botar a cara e fazer acontecer! “Conversamos com o pessoal da banda @vulcaoerupcado , eles aceitaram, e a gente fez tudo, mesmo sem dinheiro! Arrumamos o espaço, decoramos com luzes de natal e fizemos a divulgação do jeito que dava. Cada uma pegou o pouco dinheiro que tinha e colocou nesse evento. Esse dia foi incrível, a Garagem explodiu! Ficou lotado, a cerveja acabou no meio do evento e saímos correndo para comprar mais, foi uma loucura! Mas foi muito lindo e muito marcante. Cada uma saiu só com 100 reais de lucro, mas mesmo assim ficamos super felizes.” Aline conta que, mesmo exaustas, saíram da Garagem já pensando em como organizar o próximo evento! “Eu comecei a trabalhar com 18 anos, trabalhei como vendedora e com telemarketing. Meu último trabalho de carteira assinada foi em 2017, era um trabalho que eu não gostava e me fazia muito mal. [CONTINUA NOS COMENTÁRIOS]

A post shared by Feminicidade (@feminicidade) on

View this post on Instagram

Bruna é agente comunitária de saúde (ACS), moradora do morro da Coroa e trabalha na clínica da família no Catumbi. Em seu trabalho ela orienta e leva prevenção para os pacientes. Sua rotina normal envolve ir nas casas das pessoas prestar esse atendimento. Porém, com a situação do corona vírus estão evitando essas visitas para diminuir o risco de levar o vírus para a casa das pessoas. As visitas só estão sendo feitas em casos especiais, como emergências ou pacientes que não podem se deslocar até a clínica, pacientes acamados. Bruna foi infectada pela Covid-19 e um número considerável de parentes acabou pegando também, incluindo uma tia mais idosa diabética, que ficou muito grave. Tentaram internação algumas vezes, porém os leitos do SUS estão reservados apenas a casos ainda mais graves. Atualmente o pior já passou e seus familiares se encontram mais estáveis, mesmo ainda sentindo algumas dores. Apesar de ainda ter algumas sequelas da doença, ela já voltou a trabalhar. Na clínica em que trabalha são muitos os casos e agora não há dia em que não chegue, pelo menos, uma ambulância. Foram feitas palestras e vídeos foram divulgados na comunidade alertando dos perigos da doença e orientando a ficar em casa e os cuidados a serem tomados, por exemplo, com a higiene. Entretanto, apesar da gravidade e das orientações, os moradores da comunidade insistem em não respeitar o isolamento e as pessoas continuam levando suas vidas normalmente frequentando, inclusive, festas. #ElasNaLinhadeFrente #feninicidade #covid #covi̇d19 #coronavirus #feminismo #sororidade #saude #agentedesaude #rj

A post shared by Feminicidade (@feminicidade) on

View this post on Instagram

Maíra é mãe, professora de francês e empreendedora na @bordadadeflorrj . Com a pandemia e os seus desdobramentos sociais, ela precisou aprender a concentrar todas as atividades no mesmo espaço e equilibrar tudo: do público, como professora precisando se adaptar rapidamente para continuar suas aulas em ambiente virtual, ao privado, convivendo 100% do tempo com sua filha, a linda Luiza. Surgiram muitas novas demandas que antes ela não tinha e a sua rede de apoio no cuidado com a sua filha diminuiu. Maíra mora com sua mãe e Luiza, uma rede de apoio totalmente feminina. E ela conta que foi preciso reorganizar tudo de uma nova forma. Para ela, a situação atual de trabalho para professores/as, ainda mais as professoras que têm filhos, é um mais uma prova de que esses profissionais são extremamente sobrecarregados. A pandemia traz à tona problemas que já existiam, porém, de outra perspectiva. "Mulheres mães negras, que trabalham tantas horas por dia, que já estão na linha de frente em tantas ocasiões… Só evidenciam o quanto a gente carrega determinadas questões que poderiam ser mais flexibilizadas se a sociedade fosse mais equilibrada". Maíra conta também que agora suas questões como mãe, trabalhadora e professora ficam mais nítidas: "As pessoas estão sendo obrigadas a enxergar, em certa medida, porque também estão passando por situações similares em casa" – com suas crianças, tentando ajudar no aprendizado online, com pouco apoio para cuidar delas e realizar seus trabalhos, por exemplo. "Mas me entristece ver que temos que passar por isso para conseguir ver as perspectivas dos outros. Essa empatia não acontece normalmente e é importante rever esses conceitos." Ser professora é um trabalho cansativo e há uma dedicação enorme por detrás da dimensão palpável, que chega aos estudantes. "Para dar uma aula de três horas, por exemplo, existe toda uma preparação anterior, uma dinâmica por trás. Gostaria que valorizassem mais nosso trabalho." Apesar de tudo, ela acredita na capacidade humana de reorganizar mesmo diante do caos: "ainda num momento muito incerto, a gente consegue extrair positivo em relação a nossa readaptação, de fazer dar certo mesmo quando tudo é novo."

A post shared by Feminicidade (@feminicidade) on

View this post on Instagram

Taiane é assistente social no Hospital Universitário da UFRJ e moradora de Campo Grande. Sua atuação é identificar as possibilidades e as dificuldades apresentadas pelos pacientes e seus familiares no contexto da pandemia do Covid-19. Outra frente de trabalho é a orientação referente a procedimentos que familiares ou responsáveis devem realizar em situações de óbito. Nos atendimentos, em sua maioria, ela se depara com famílias que se encontram com poucas possibilidades de realizar distanciamento ou, até mesmo, o isolamento social. Nesse contexto, ela relata a angústia da ausência de uma garantia efetiva para que essas pessoas tenham a possibilidade de isolamento sem ameaças ao seu sustento. Sobre os óbitos que aumentaram consideravelmente com a pandemia, o trabalho de orientar os procedimentos aos familiares e amigos a lidarem com a morte se mostra solitário. Tal situação desafia todos a ressignificarem, inclusive, a cultura de despedida e de velório, colocando em questão os processos de luto. Nesse período, ela tem aprendido que para ser empático não basta se colocar no lugar do outro, é necessário se despir dos seus valores e conceitos e aceitar os valores e conceitos do outro. Taiane relata que lidar diariamente com esses desafios traz um desgaste mental e emocional absurdo. No dia-a-dia de trabalho, ela observa que a maior parte do corpo de trabalhadores da saúde são mulheres, muito pelo fato das profissões ligadas ao cuidado serem estruturalmente vinculadas ao feminino. O trabalho dessas mulheres nesse momento é motivo de admiração e motivação para ela. Taiane espera que esses nomes não sejam apagados na história como aconteceu com tantas outras mulheres. Reconhece o esforço de todas para continuar na linha de frente mesmo com medo da infecção, perda de colegas, de trabalho e da falta de garantia de seguridade social aliada à inexistência de uma ação voltada especificamente para o trabalhador atingido pela Covid-19. #ElasNaLinhadeFrente #feminicidade #covid #covi̇d19 #coronavirus #feminismo #saude #assitentesocial #rj

A post shared by Feminicidade (@feminicidade) on

View this post on Instagram

Clara é médica de família, professora universitária e mãe. Dupla jornada é uma coisa que ela conhece bem. E agora, em tempos de pandemia, o trabalho se torna mais desgastante, tendo que dar aula de casa. “Quem inventou home office não tinha filhos”, desabafou a médica. Além da dificuldade da pequena Maitê, com menos de dois anos, não entender o fato da mãe não poder dar atenção a ela nas horas das aulas, o home office dá a sensação de trabalhar mais, pois não tem uma hora exata para começar muito menos para acabar, logo as horas extras têm se tornado comum no seu cotidiano. Clara trabalha em duas clínicas de família. Como se não bastasse a tensão normal de ser médica nesse período de pandemia de coronavírus, ela ainda tem que conviver com a escassez de material de proteção e a baixa qualidade dos materiais que chegam. Essa é uma situação que muitos profissionais da saúde têm passado. Com isso, o momento de voltar para casa, abraçar sua filha e marido vem trazendo muita angustia para ela. Clara e sua equipe tiveram que se organizar para o caos, para a guerra, pois sabiam que em algum momento o sistema iria saturar. Defensora do SUS, Clara reafirma que esse sistema não é só para a população carente, como muitos às vezes pensam, é, sim, para todos. Sabe a vacina que você toma sem pagar um real? SUS. A vigilância sanitária em restaurantes, aeroportos e portos? SUS. Tratamento gratuito contra o HIV, tuberculose e hanseníase? Só tem no SUS. Sem falar nas consultas gratuitas que qualquer pessoa pode usufruir, até mesmo estrangeiros. A verdade é que 80% da população é dependente do SUS. Esse Sistema Único de Saúde não existe em lugar nenhum, e nós temos que valorizar e defender. [CONTINUA NOS COMENTÁRIOS]

A post shared by Feminicidade (@feminicidade) on

View this post on Instagram

Mônica tem 30 anos e é psicóloga, atuando na área de psicologia clínica e hospitalar. Sempre amou as duas áreas pois aprecia tanto a troca que acontece na psicologia clínica quanto o pequeno caos trazido pela rotina hospitalar. ⠀⠀ Atualmente Mônica trabalha em dois hospitais de campanha no Rio de Janeiro que visam atender pessoas com suspeita ou confirmação de COVID 19. Sua sensação é de que, a cada novo plantão, ela chega em um hospital diferente onde tudo tem que ser readaptado frente à novas normas e portarias. O cenário é muito inconstante. ⠀⠀ "Minha impressão é que de Abril até Maio eu vivi 6 meses. Nessa última semana, que também foi um caos, fiquei sem receber dos dois hospitais em que trabalho então estou pagando para trabalhar". Ela explica que, frente à terceirização da saúde, onde a gestão dos hospitais públicos é passada dos Estados para as OSS (Organizações Sociais de Saúde), os profissionais ficam sem ter a quem recorrer em momentos como esse. ⠀⠀ "Em um momento em que tenho que cuidar dos pacientes, acolher suas famílias, acolher colegas da equipe que, assim como eu, estão trabalhando com medo de contrair a doença e contaminar seus familiares, ainda me deparo com estar sem renda. Mesmo frente à essa situação eu não tenho coragem de abandonar o plantão pois acho que sou eticamente responsável pelo compromisso que me propus" ⠀⠀ Mônica conta que os plantões são exaustivos e que, ao chegar em casa, ainda precisa enfrentar sua nova rotina de "descontaminação" para garantir que não traga o vírus para dentro de casa e contamine sua família. "Quando finalmente sinto que estou segura e posso começar meu dia em casa, já são 18h da tarde, o dia já praticamente terminou". ⠀⠀ Mônica ressalta que a internação por COVID-19 é mais extrema que uma internação comum. "Os pacientes passam por muita angústia por não poderem ver suas famílias e não saberem se vão piorar ou melhorar da doença. Além disso o paciente mal reconhece a equipe que o trata pois o plantão muda a cada 12 horas e os profissionais ficam praticamente irreconhecíveis quando estão paramentados com os equipamentos de segurança." [CONTINUA NOS COMENTÁRIOS]

A post shared by Feminicidade (@feminicidade) on

View this post on Instagram

É anjo que se fala? Só assim mesmo para começar a falar da Izabel. Que exemplo de mulher trabalhadora, solidária, empreendedora, corajosa. Esses foram só os primeiro adjetivos que me vieram à cabeça nos primeiros minutos de conversa com essa pessoa incrível. Izabel é ambulante e camelô. Ela e suas companheiras de trabalho têm que ter muita disposição, pois o trabalho é pesado. “Vamos até o depósito, compramos a mercadoria, voltamos carregadas para arrumar tudo nos carrinhos, vamos para a rua virar a noite trabalhando e se o evento está bom uma de nós tem que sair para comprar mais bebida para repor, volta com gelo nas costas e cerveja nos braços. É uma garra fora de série que a gente tem que ter para vender.” Foi no ano de 2018 que começou a surgir a idéia de usar a garagem, que elas alugavam para guardar os seus materiais, como espaço cultural. A princípio Izabel estava receosa, achava que podia dar problema fazer uma festa naquele lugar. Foi então que sua filha Aline junto com a Alice, companheira de trabalho delas, marcaram com o forró do Vulcão Erupçado ( @vulcaoerupcado ), escondidas de Izabel! O evento juntou muita gente, porém não deu o lucro esperado, mas as três, Izabel, Aline e Alice, viram ali uma grande oportunidade e não desanimaram. Para a sorte da boemia carioca esse trio passou a sonhar com os próximos eventos. E foi em 2019 que a Garagem das Ambulantes ( @agaragemdelas ) bombou! Passando a ter um segundo local maior para poder dar conta do público. Os planos para 2020 eram ambiciosos, contratar mais gente para a equipe, mais banheiros e iam até mesmo inaugurar uma terceira Garagem para novos eventos. Mas infelizmente, por conta do COVID, esse sonho teve que ser adiado. Depois do último evento na garagem, que foi no dia 13 de março, Izabel voltou para casa com o coração apertado. “Eu fiquei com um medo danado, pensando que um dia eu ia abrir os olhos e quando saísse para a rua ia estar todo mundo morto, minha cabeça só via assim.” Foi quando veio a Maria do movimento Unidos do Camelô e pediu para fazer uma entrega de cestas básicas lá na Garagem. “Eram 100 cestas e parece que vieram quase mil pessoas.[Continua nos comentários]

A post shared by Feminicidade (@feminicidade) on